Use seu faro – Dicas da Raposa

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Reflexões da Raposa Sincerona – 10/08/2019

Me pediram dicas sobre como não ser enganada por charlatãs/estelionatárias que andam livremente no meio espiritualista e de desenvolvimento humano. Assunto delicado, mas… simbora.


Alerta antes de continuar a leitura: Questionar não é julgar (que também difere de condenar). Questionar é a base do pensamento crítico e faz parte da caminhada de conhecimento de si e do mundo. Julgar é saudável quando o ato é exercitado como reflexão e não como via de condenação prévia. A linha é tênue. 
* Um tantinho de sarcasmo e pitadas de ironia aqui serão permitidos como recursos literários… Afinal, sou sagitariana e raposuda, né? rs Perco a curtida, mas não perco a piada.*
**Não me peçam para dar nomes, pois – infelizmente – a gente vive numa cultura que privilegia a desonestidade e condena quem questiona a mesma (vide o que aconteceu com o Padre Fábio de Melo recentemente). 
Então, buscarei tomar o caminho do didatismo com a intenção de comunicar da melhor forma possível as informações para encontrarmos meios de minimizar essa “papagaiada” generalizada. **


Bóra lá pras dicas:
Como se não bastasse os recorrentes plágios e os “copia + cola” nas postagens e na descrição de cursos e “formações” (sim, isso AINDA acontece MUITO), agora a moda é mentir sobre TITULAÇÕES ACADÊMICAS.
Baita ato falho, porque há tantas formas de SABERES, né verdade? Aliás, há tantas formas de conhecimento que independem de diplomas! O essencial é que seja real, verdadeiro… (vide os saberes populares que são tão poderosos, pois foram vividos e são vivenciados há gerações!) 
Aquela coisa: A sabedoria não depende de diploma. Mas o diploma sem sabedoria também não vale muita coisa.
O problema que eu quero expor aqui é aquele que se dá quando o fake, a desonestidade e a mentira entram na jogada. 
(Ah, sim… pode ser que algumas das informações abaixo sirvam para aquelas pessoas que as ignoram e que, por desconhecimento, sejam levadas ao “erro”).


Pontuando:
1. Se a pessoinha escrever que tem “formação acadêmica”, verifique se ela realmente possui a certificação (DIPLOMA DE CONCLUSÃO DE CURSO. Cursar dois semestres de psicologia e dizer que é psicóloga, não vale, rs).
No caso de afirmar que é psicóloga, NECESSARIAMENTE, ela precisa ter um registro no Conselho de Psicologia .
*há ainda a formação livre em Psicanálise que é distinta da formação em Psicologia. O mesmo vale para as formações livres em Terapias holísticas ou integrativas (aromaterapia, fito, florais, etc). Beleza atuar como psicanalista ou terapeuta nas técnicas em que se especializou (eu mesma me especializei e atuo em diversas áreas terapêuticas complementares e integrativas). 
Mas se a pessoa se apresentar como PSICÓLOGA e não for REALMENTE uma, configura “exercício ilegal de profissão”. Ou seja… neste caso é contravenção penal (artigo 47 do decreto-lei 3.688). No caso de médicos, dentistas e farmacêuticos, configura crime.


2. Se disser que tem especialização (pós-graduação lato-sensu), verifique o nome e ano da instituição em que se formou. Se a pessoa não cita, solicite a informação. 
Lembrando que um curso de pós-graduação só pode ser ofertada por instituições credenciadas pelo MEC. Se não tiver a credencial é um curso livre – o que não é um problema se assumir isso.
Outra coisa: se a pessoa fez uma especialização (pós-graduação) em alguma vertente da área da Psicologia (exemplos: Junguiana, Transpessoal, Psicopedagogia ou Arteterapia) e não pertencer à área da saúde (médicos e psicólogos), a mesma NÃO PODERÁ ATUAR legalmente como psicóloga ou psicoterapeuta. 
Os bons cursos de especialização deixam clara tal informação nas ementas e detalhes dos cursos. 
Assim, para quem não é da área da saúde, tais cursos podem servir como caminhos de auto-desenvolvimento ou mesmo para serem agregadas ao caminho de profissionais de outras áreas.
Sobre a psicopedagogia, temos que a área clínica da profissão está ligada aos processos de aprendizagem especificamente. Assim, a psicopedagogia clínica difere atuação da clínica psicológica. Em resumo: uma formação em Psicopedagogia não é uma formação em Psicologa. Ponto.


3. Se a pessoa disser que tem MESTRADO OU DOUTORADO (pós-graduação stricto-sensu): 
NECESSARIAMENTE, ela precisa ter um currículo na Plataforma Lattes do CNPq (é uma das exigências). Obviamente, para que alguém seja mestre ou doutora em alguma área de conhecimento, há a EXIGÊNCIA DO certificado emitido pela instituição (universitária) na qual concluiu o curso.
Agora… não adianta nada a pessoa ter mestrado profissional em Direito com uma pesquisa sobre “direito penal econômico” e usar do título para embasar sua atuação como “xamã” ou terapeuta. Tá, é um exemplo “extremo”, mas espero que você compreenda o que eu estou querendo dizer, rs. 


Vou me colocar como exemplo para expôr um outro lado da moeda: apesar da minha formação em Filosofia e mestrado em Comunicação Social, toda a minha pesquisa está relacionada com as questões do Feminino, da Mulher e, mesmo que indiretamente, da Espiritualidade (além de que toda a minha base teórica é interdisciplinar e envolve religião, estudos do imaginário, mitologia comparada, teorias junguianas, antropologia, etc…). Assim, faz sentido que eu apresente minhas certificações acadêmicas quando descrevo minha caminhada fora da universidade como condutora de atividades relacionadas com a Espiritualidade Feminina. Uma coisa se relaciona com a outra.


Enfim… 
É muita coisa pra ser discutida e não é num post que o tema vai se esgotar. No entanto, espero ter sido didática e contribuído para que o meio espiritualista/das terapias/do autoconhecimento seja mais digno e verdadeiro.
Sigamos em paz, com paz e pela paz… (E que a mitomania e a baixa auto-estima que reverbera em desonestidade sejam banidas de nossos caminhos).


Fox /|\
PS: *O link para o meu Lattes pode ser encontrado no meu site.www.patriciafox.com.br
PS 2: Há ótimos cursos de graduação e de especialização relacionados com o desenvolvimento humano. Pesquisem sobre o curso, sobre o corpo-docente e também sobre a produção científica dos mesmos. O mesmo vale para a infinidade de bons cursos livres de formação. Normalmente os mesmos são coordenados por pessoas com uma caminhada profunda, bastante embasamento e com muita experiência. 
PS 3: Não vou entrei no mérito das “técnicas de cura” e “canalizações” (cheias de títulos pomposos em inglês, rs) que estão mais para a criação de um exército de “iniciadas” em placebos com uma profundidade de piscininha de criança. (Qualquer hora falo mais sobre o “cosplay” e do “entretenimento” no meio espiritualista e de autoconhecimento). 
PS 4: use seu faro… sempre!

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